quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Conversa de consumo – parte 02

 
 

Ricardo Nogueira
Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica.Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.
 
Em continuidade ao tema da última semana, nada melhor do que voltarmos a falar sobre a sociedade do consumo em pleno Natal. É incrível como a “magia” da data motiva todos a gastarem bastante, às vezes mais do que podem, para não ficar de fora do “espírito” natalino. Nada contra presentear as pessoas de quem se gosta, que merecem, especialmente as crianças, que ainda – em poucas e boas exceções – se esforçam em ser bons meninos à espera do presente do bom velhinho. O que tem mudado nos últimos anos é o foco: tanto sobre “o que” se dar, passando pelo “como” adquirir e terminando no “quanto” se pode gastar.

 

Novamente vêm as lembranças e a nostalgia de ser uma criança na década de 1980. Quem, nessa época, não aguardou e desejou com toda força receber uma camionete, de plástico, alaranjada, no dia 25 de dezembro? Além dela, lembro bem de já ter desejado ganhar um velotrol imitando a Lotus preta do Ayrton Senna, alguns bonequinhos do Comandos em Ação e até mesmo um disco (vinil) do Trem da Alegria ou Balão Mágico. O que dá para notar é que, nessa época (como se fosse tão distante assim), as crianças ainda gostavam de ganhar presentes de criança.

 

Hoje, no entanto, alguns valores estão invertidos. Claro que ainda há aqueles garotos e garotas que sonham com presentes infantis, mas há uma crescente tendência que aponta para a inclusão de objetos de desejo do mundo adulto cada vez presentes no universo das crianças. Como se vê nas reportagens sobre a economia nessa época, os presentes “vedetes” neste ano são os tablets e smartphones. E acredite: grande parte deles será destinado a um menino ou menina que, antes mesmo de ser alfabetizado(a), já saberá como curtir e compartilhar uma foto nas redes sociais virtuais. Sinal dos tempos? Não sei.

 

A forma como os presentes são adquiridos também mudou bastante. Apesar de ser uma verdadeira aventura caminhar pelas ruas das cidades nessa época devido ao excessivo volume de pessoas no trânsito (a pé ou de carro), é notável como a “comodidade” da internet tem alterado o hábito de compra das pessoas. Impressionam alguns dados de pesquisas que apontam um crescimento assustador no número de aquisições feitas por meio da rede de computadores. Devemos lembrar que os números não abrangem toda a sociedade, mesmo porque, por mais incrível que pareça, ainda existem pessoas que não têm acesso regular à internet ou sequer a conhecem.

 

Mas se o foco estiver sobre as pessoas da classe média (a tão falada classe C), os números mostram que a grande maioria dos usuários da rede faz regularmente compras pela internet. Nessa hora, a da empolgação, esquece-se até mesmo de cuidados básicos de segurança na exposição de dados em sites pouco confiáveis. Aí depois vem o problema de cartões clonados, dívidas não reconhecidas e todo tipo de dificuldade que as instituições financeiras devem rezar para não acontecer.

 

No entanto, com tantas ofertas de sites de descontos e compras coletivas, quem resiste a comprar uma viagem em pleno verão para relaxar nas águas quentes de Caldas Novas? Ou pegar um ticket (aliás, voucher) de desconto em um restaurante na capital, mesmo sem ter ido lá uma vez sequer? Não dá para resistir. Mesmo que não use – e nem vá usar o bem ou serviço adquirido –, o que não pode é perder a oferta.

 

E é aqui que finalizo esse papo: a relatividade do “quanto” se pode gastar. Afinal, custo e valor são critérios extremamente subjetivos. Luto diariamente para entender o que faz uma pessoa a economizar (!?) para um passeio de férias, comprando uma viagem nesses sites de compras coletivas sem ao menos saber o destino e o que lhe espera (na maioria das vezes uma surpresa negativa, pois exibir fotos esplêndidas de um paraíso é fácil). E, ao mesmo tempo, essa pessoa paga 10 vezes mais no valor de uma camisa – igual a outra básica – apenas porque ela tem um escrito de uma marca que virou hit de uma hora para outra e está mais batida do que caipirinha (A Hollister e Abercrombie agradecem a preferência). Cada um, cada um...

 

Desejo a meus leitores um Feliz Natal e um momento bem interessante de reflexão. Agora, se me dão licença, tenho que responder minhas felicitações natalinas de amigos virtuais que nunca vi, mas que insistem em desejar o bem a toda a humanidade nesse período.

 

Conversa de consumo – parte 01


 
 
                                             
 

Ricardo Nogueira
Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica.Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.


 

Em minha época de Faculdade, me lembro bem de um texto sobre a “Cultura do Consumo e Pós-Modernismo”, de Mike Featherstone. Isso já faz mais de 10 anos e a obra é de 1995. O interessante disso tudo é que seu conteúdo continua atualíssimo e, cada vez mais, é perceptível como a ênfase no consumo instantâneo e imediato prevalece em nossa sociedade contemporânea. Longe de pretender estabelecer verdades e teorias, essa conversa pretende refletir sobre as causas e os efeitos dessa supervalorização do ter em detrimento do ser (ou do conhecer).

 

O mais interessante é que, de geração em geração, de tempos em tempos, mudam as marcas, mudam os interesses, mas a “necessidade” de consumir continua a mesma. E, hoje em dia, com a facilidade da internet, esse hábito pode se tornar um vício. Basta um clique e pronto: você consegue comprar roupas, periféricos de computadores, perfumes, viagens, sessões de drenagem linfática, carros, casas, entre outros. E aí, aliadas às possibilidades de crédito, as dívidas vão se acumulando até formarem uma bola de neve.

 

No último domingo, após a vitória do Corinthians no Mundial de Clubes da Fifa, pipocaram piadinhas sobre os torcedores da Fiel. Estereotipados como malandros e “manos”, as zoações focavam no fato de que os corintianos estão, agora, menos preocupados com a conquista do clube e mais em saber o que fazer para quitar os carnês da CVC. Se existe um fundo de verdade na gozação, mais uma vez a sociedade do consumo se faz presente. Viajar para o Japão e ir acompanhar seu time na Final do Mundial de Clubes é fácil. Difícil é quitar as dívidas.

 

Ainda dentro do futebol, tema frequentemente abordado por aqui, outras duas atitudes me chamam bastante atenção. A primeira diz respeito ao valor dos ingressos dos novos estádios ou “arenas” multiuso do Brasil, remodelados em virtude da Copa de 2014. Além de todas agora possuírem cadeiras no lugar dos tradicionais assentos cimentados da arquibancada, os preços dos ingressos dispararam. Me assustei com a venda antecipada dos ingressos para a partida que será disputada no Mineirão na primeira fase da Copa das Confederações em 2013. Mesmo com preços na casa dos “centos”, foram esgotados em menos de 24h após o início das vendas. Tudo bem que é raro assistir a uma partida entre duas seleções internacionais em BH, mas será que vale mesmo gastar boa parte do salário só para dizer que foi?

 

Isso sem falar na possível elitização de todo o contexto que envolve os estádios, tradicionais redutos da testosterona. Lembro-me que ir ao Mineirão significava descarregar no juiz todos os palavrões que queria falar para o chefe. E, para tal, era necessária quase uma preparação espiritual, que começava na combinação da carona, na zoação e nos cantos no caminho do estádio, além, é claro, do famoso tropeiro com aquela cervejinha gelada. Aí, na hora do gol, se abraçava quem estava do lado, indiferente da cor, gênero, religião – só importava a paixão pelas mesmas cores de futebol. Com as mudanças, talvez as pessoas passem a assistir às partidas assentadas, balançando seus lenços de seda coloridos e saboreando croissants de ricota com espinafre, acompanhados por uma taça de frisante.

 

A outra atitude refere-se ao valor gasto nos materiais esportivos oficiais dos clubes. Ainda quero muito entender (quem sabe um dia não exista um estudo científico sobre isso?) o que leva uma pessoa a gastar mais de R$ 200 em uma camisa oficial do clube, mesmo sabendo que ela deverá “perder a validade” em menos de um ano? Isso sem falar nos outdoors ambulantes em que as camisas vão se transformando, com patrocínios percorrendo praticamente toda a extensão de pano disponível. O escudo do clube vira quase um minimalismo, um enfeite para uma espécie de abadá de micareta.

 

Mas, no mercado do consumo, tudo é possível. O que vale é possuir, participar e, principalmente, mostrar para os outros o que se fez. Na próxima semana continuamos nessa conversa sobre o consumo desenfreado.

 
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tão longe, tão perto


 

Ricardo Nogueira

Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.

 
Se tem uma pessoa que, apesar dos pesares, merece o meu respeito é Rafinha Bastos. Se você não o conhece, provavelmente está há um bom tempo sem acompanhar as últimas polêmicas envolvendo os artistas, comediantes e as “fofocas” de bastidores nos programas humorísticos, as atuais grandes estrelas das emissoras de TV. Já se o conhece, possivelmente tenha uma opinião de “ame-o ou deixe-o”, assim como Diogo Mainardi consegue causar em seus leitores, e também o jornalista Fred Melo Paiva, característica que alguns outros poucos artistas conseguem despertar. O que, no final, é bom. Pois assim como toda unanimidade é burra, tudo o que nos vem como produto cultural midiático e digerido sem crítica acaba não tendo valor.
De estilos tão diferentes, inclusive verborrágicos e literais, o que aproxima essas personalidades midiáticas é a acidez na crítica e a falta de “licença” para dizer o que pensa. Mas como nem tudo é ouro, Rafinha Bastos foi perdendo espaço na grande mídia: demitido da Band, aventurou-se em um projeto fraco na Rede TV! e agora segue polemizando na internet, enquanto seu reality “A Vida de Rafinha Bastos” segue firme como opção na grade do canal a cabo FX, apesar de ainda não ter estreado (dizem que por falta de incentivos financeiros).
 Mainardi, por sua vez, também está fora da grande mídia popular atualmente. Após ser demitido da Veja no início do ano, o polêmico articulista segue dando seus pitacos semanalmente no “Manhattan Connection”, exibido aos domingos na GloboNews. Recentemente lançou um livro autobiográfico narrando a vida de seu filho, que sofreu uma paralisia cerebral no nascimento devido a um erro medido. Na obra, Mainardi conta essa história de forma única, intertextualizando sua tragédia pessoal com alguns dos principais movimentos artísticos, culturais e históricos da humanidade. Como já li, posso afirmar: o cara realmente é bom!
Por fim, Fred Melo Paiva, o menos conhecido dentre os três, mão não menos polêmico e/ou genial. Eu mesmo fui conhecer o seu trabalho nesse ano, no jornal Estado de Minas, no qual o jornalista mineiro radicado em São Paulo assina a coluna “Da Arquibancada”, publicada sempre aos sábados. Nela, o atleticano fiel relata, em textos com uma ironia sem igual, as maravilhas e as dores de torcer pelo Atlético/MG, fazendo referências históricas e provocando os rivais, especialmente os cruzeirenses. Após virar fã de seus textos, fui procurar saber quem era mesmo o autor e descobri que trata-se do ex-diretor de redação das boas revistas Trip e TPM e que, em fevereiro próximo, estréia nova série no History Channel chamada “O Infiltrado”. Na produção ele irá se infiltrar e acompanhar uma série de universos desconhecidos, participando como um repórter atuante, próximo do conceito do “jornalismo gonzo”, tão bem feito pelo nobre Arthur Veríssimo na própria Trip e, às vezes, executado com maestria também pela “A Liga” e pelos discípulos de Caco Barcellos no “Profissão Repórter”. 
Em comum, além da polêmica, os três personagens têm algo em extinção na maioria das pessoas: a falta de “papas na língua” para dizer o que pensam. E é justamente isso o que os aproxima, o que os coloca tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto. Surfar contra a maré é tarefa difícil, ingrata e pode causar problemas inumeráveis. No entanto, como já discutimos outra vez nesse espaço, se estar na mídia exige uma tomada de posição, eles o fazem com excelência, ao defenderem o que acreditam – estando certos ou não, exagerando ou não nas palavras. Pelo menos, agindo assim, se despem da capa de “imparcialidade e objetividade” que ainda domina a grande imprensa, mas que são, de fato, muito mais uma frase de enfeite em um quadro na parede do que uma atitude prática.
Sugiro ao nobre leitor que procure conhecer os feitos destes articulistas e tire suas próprias conclusões. A minha, como já explicitada, é de admiração. Mesmo as ressalvas não contam aqui nesse meu julgamento, pois sei que ninguém é perfeito. E sei que, ao fazer isso, cada um chegará a sua própria opinião extrema: o amor ou o ódio. Sentimentos tão longe e tão perto. A única certeza é que não soarão indiferentes. E isso, nesse tempo de cultura fast food, faz toda a diferença.
 
 

 

 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Protestos virtuais: o último suspiro

 

Ricardo Nogueira
Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.



Nunca um artigo nesse espaço gerou tanta repercussão como o publicado há três semanas, “Protestos virtuais”. Após a publicação de um texto endossando o seu conteúdo há duas semanas (escrito com maestria pelo professor e jornalista Bernardo Rodrigues), e de uma “carta argumentativa” contestando o original, publicado na semana passada, pretendo encerrar hoje o assunto, sem parecer autoritário. Apesar do anonimato da “carta argumentativa” (parece ser de autoria de Igor Bastos, com base no endereço de email encaminhado pela redação do Gazeta do Oeste a este articulista), fiz questão de ceder este espaço na última semana para a publicação de uma visão contrária a minha. Hoje tento analisar tudo isso, por meio de uma última discussão acerca do fato e da própria repercussão que a publicação gerou.

 

O primeiro ponto a ser destacado é a confirmação das atitudes que nascem, crescem e morrem na internet. Após o link do artigo original ser disponibilizado na rede, por meio do Portal G37, começaram os “protestos”. Não pude acompanhar em tempo real, pois ela se deu no Facebook, meio ao qual não possuo acesso. Mas tive notícias da repercussão e fiquei extremamente feliz com isso. Além de provocar uma ação (nem que seja virtual), pude perceber que os próprios atores sociais envolvidos nos fatos não concordam com a passividade de certas coisas. E, apesar do texto não ter sido endereçado a alguém, pude notar que a carapuça serviu.

 

Da mesma forma, admiro o fato do autor da “carta argumentativa” ter se dado ao trabalho de escrevê-la e enviado para a redação do Gazeta do Oeste em contestação ao conteúdo do “Protestos Virtuais”. Isso mostra que, muitas vezes, ter atitudes além das redes sociais virtuais pode resultar em processos muito mais produtivos do que cantar aos quatro cantos sua opinião via Twitter ou Facebook. No mínimo, meu caro autor, tenha certeza que um número muito maior de pessoas teve acesso ao que você pensa. Concordando ou não com seus argumentos, saiba que emitir as opiniões no mundo “físico” faz com que um elo seja estabelecido com muitas pessoas além de nossos relacionamentos. Assim como eu e você. E isso é extremamente produtivo e gratificante para um debate maduro. Pode acreditar nisso.

 

Ainda em referência ao artigo original, o autor afirma que este jornalista generaliza todas as ações nas redes sociais como se fossem “de mentirinha”, o que é uma inverdade. Concordo com você na potencialidade que as redes sociais virtuais têm para mobilizar as pessoas. O exemplo da “Primavera Árabe” é excelente para atestar isso, assim como o belo trabalho feito por uma parcela da juventude divinopolitana em protesto contra o aumento dos salários de nossos vereadores. Atitude louvável, admirável e muito importante para o estabelecimento da democracia. E é exatamente esse o ponto em que discordamos: quando afirmo que a grande maioria das atitudes nas redes sociais virtuais nasce e morre no próprio meio.

 

Não tenho nada contra utilizar a rede para combinar encontros físicos com fins plenamente de entretenimento, como os zumbis ou a guerra de travesseiros. Apenas acho incoerente ações como essas atingirem um público maior do que em “convocações” para protestos e/ou reivindicações com fins sociais, já que esses mesmos participantes adoram se mostrar indignados com as desmazelas do mundo real. Mas levantar da cadeira, da cama ou do sofá para contestar isso parece que não vale a pena, né? Por isso sugiro que a geração M reveja seus conceitos no que tange ao seu “orgulho” de ter um “modelo diferente” do que existiu nos anos 1990 e antes. Esse novo modelo, extremamente passivo, não gera resultados tão eficazes quanto os de anteriormente e todos sabemos disso.

 

O espaço aqui é curto para uma discussão. Quero apenas deixar claro que concordo com você no que diz respeito à passividade social (dos usuários ou não das redes sociais virtuais) e que, como entusiasta destas novas tecnologias, pessoas como você deviam utilizá-las mais vezes para fins mais nobres, como já foi feito. Uma dica: aproveitem esse projeto que está em tramitação na Câmara de Vereadores, visando diminuir o grau de escolaridade para os assessores parlamentares, e realizem uma ação nesse sentido. Para fins como esse, creio que as redes sociais virtuais sejam uma ótima ferramenta para a reunião e convocação de pessoas que, assim como eu, acham tal projeto uma afronta à nossa inteligência. Caso auxilie, conte comigo nisso. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Protestos virtuais: o outro lado


 
 
Ricardo Nogueira
Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.



Nunca um artigo nesse espaço gerou tanta repercussão (contrárias e favoráveis) como o último, “Protestos virtuais” (apesar da maior parte deles ficar restrita ao ambiente virtual, confirmando o que o próprio artigo expõe). Após a publicação de um texto endossando o seu conteúdo na última semana (brilhante, aliás, escrito com maestria pelo amigo, professor, jornalista e Mestre, Bernardo Rodrigues), nesta semana acho justo e democrático oferecer o espaço para uma visão contrária à exposta originalmente. Recebi da redação do jornal Gazeta do Oeste uma “carta argumentativa”, sem título e assinatura, contestando o conteúdo do “Protestos virtuais”. Parece ser de autoria de Igor Bastos (faço a afirmação com base no endereço de email do autor da “carta”, encaminhado a este articulista).

 

Apesar do anonimato, creio justo contrariar um pouquinho a Constituição que assegura a “liberdade de expressão”, em seu artigo quinto, pelos incisos “IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” e “IX- é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença”. Portanto, segue abaixo a íntegra da “carta argumentativa” recebida na última semana. Na próxima (por questão de espaço não será possível comentá-la hoje), tentarei fechar o assunto por meio de uma análise sobre o próprio fenômeno que o artigo original gerou.

 

“Divinópolis, 15 de Novembro de 2012

Prezado Ricardo Nogueira,

A preocupação do senhor com os jovens é legítima e merece o apoio da sociedade, mas existem alguns pontos que devemos ressaltar. No artigo ‘Protestos Virtuais’, (Jornal Gazeta, 12/11/12), o senhor diz que a rede social gerou apenas protestos de mentirinha, o que muito me assusta. Como o senhor já sabe, e tem acompanhado, desde 2010 estão em noticiários de todo os países os protestos no mundo árabe, conhecidos como ‘Primavera Árabe’, nos quais o povo luta por direitos iguais e democracia. Como jornalista o senhor tem conhecimento do papel fundamental das redes sociais para que essas pessoas pudessem se conectar, mobilizar e lutar em meio a ditadura.

Mas eu entendo a sua preocupação, a rede social também tem gerado protestos inválidos, como o viral de 1 ano atrás que voltou com força em 2012, o ‘Protesto Gota D’água’ e vale lembrar que o vídeo foi feito por artistas de televisão. Graças aos estudantes da USP (Geração M), em conjunto com um professor, fizeram um vídeo resposta, desmascarando todas as falácias ditas em tal vídeo. O senhor deve lembrar muito bem desse episódio que foi capa de todas as principais ‘mídias físicas’ de nosso país.

O senhor cita também os revolucionários do passado como exemplos. A geração M nasceu sem ditadura e sem o medo da inflação. A conexão com o mundo, cada vez mais digital, cria uma nova forma de se relacionar. Sem limites físicos ou sociais, a internet é a nova forma de organizar o jeito de pensar do jovem. O modelo que foi válido até os anos 90 não faz mais sentido hoje. O engajamento político daquela época exigia mais sacrifícios. Um abandono a uma questão individual para se integrar inteiramente a um objetivo. Hoje, desejos individuais, como o caso dos Índios Guarani, são expostos nas redes, e rapidamente pessoas com os mesmos interesses e opiniões se conectam e começam a se movimentar, criando pequenas revoluções para tentarem mudar a sua comunidade local ou um coletivo maior.

A nota mais lamentável do texto é quando o senhor se refere aos flash mob’s (Pillow Fight e Zombie Walk). Fui um dos idealizadores de ambos em nossa cidade e entendo muito bem do assunto. Um flash mob nada mais é que uma aglomeração instantânea de pessoas para realizar determinada ação inusitada previamente combinada. Essas ações não têm o intuito de revolucionar o planeta, e pessoalmente não creio que os flash mob’s mudarão algo ou melhorarão a vida de alguma pessoa. O objetivo principal do flash mob é a diversão. Quando analisado socialmente, o senhor verá que existem pessoas de diferentes posições políticas interagindo, bem como pessoas racistas com pessoas de outras raças, pessoas homofóbicas com pessoas homossexuais, etc. Nada tão sério ao ponto de mudar os pensamentos, porém é um fator interessante a ser observado.

Eu entendo a sua crítica, mas creio que é melhor um jovem se divertir vestido de zumbi ou interagindo com seus amigos da internet, do que ir a um bar ou festa ‘encher a cara’, sem ter ao menos 18 anos, o que tem sido cada vez mais freqüente em nossa cidade. Não digo que os frequentadores de flash mobs não fazem isso. Reafirmo que o intuito desses movimentos é apenas criar uma via alternativa de diversão, nada mais que isso. Outro ponto importante que devo citar, é que, graças a rede de contatos que construí com essas mobilizações em 2011, foi possível ajudar o professor Juarez Nogueira, e outros amigos da Geração M, a encher a Câmara Municipal contra o aumento do salário dos vereadores, um acontecimento nunca visto em Divinópolis, onde estavam presentes muitos dos jovens que participaram dos flash mobs, justamente por serem os mais atuantes na Internet em nossa cidade.

Não faz diferença se estamos na rua ou na internet, a realidade é de comodidade, como o senhor mesmo disse. Precisamos de mais gente com o pensamento de mudança, assim como o senhor e eu. Fazer um protesto nas ruas com 3 pessoas não irá nos levar a lugar algum. Mas eu acredito que um futuro melhor está por vir, onde jovens líderes possam contribuir para mudar a nossa realidade. Onde utilizemos a rede social não apenas pra namorar ou fazer festa, mas para nos mobilizarmos efetivamente e construirmos nossas opiniões de uma forma mais concreta e sem hipocrisias. Onde as pessoas realmente se importem com o coletivo, para tornar o mundo cada vez melhor. Que se manifestem de forma a levar ao conhecimento das autoridades o verdadeiro pensamento coletivo. Mas o papel da rede social não é educar e conscientizar, a rede social nada mais é que um veículo de mídia, uma ferramenta, assim como toda a Internet. Se teremos jovens politizados ou não, dependerá do acesso a educação e cultura de qualidade. Agora é como eu sempre digo, se nós jovens ficamos quietos, somos ‘alienados’, se vamos pras ruas somos ‘baderneiros’. Independente do que aconteça, sempre haverá alguém reclamando no conforto do sofá de casa”.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Protestos virtuais e o fetiche da crítica



Bernardo Rodrigues Espíndola
Jornalista, Especialista em Filosofia, Mestre em Teoria da Literatura. Membro do grupo de pesquisa Intermídia, vinculado ao CNPq, com pesquisa sobre Semiótica e as relações entre literatura e outras artes.  Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharias.



“Protestos virtuais”. Este foi o título de um artigo publicado pelo colega professor e jornalista Ricardo Nogueira sobre a atuação crítica da juventude nas redes sociais digitais. E foi quando li o texto do Ricardo que decidi escrever um pouco sobre essas novas formas comunicação que surgem com a internet e seus hipertextos, neste mundo de simulacros, hiperrealidade e hiperatividade.

Às vezes, parece que a linguagem passa mesmo por um esvaziamento do sentido, uma desconexão cada vez maior entre o discurso e o mundo atual. Enquanto isso, as pessoas tornam-se cada vez mais dispersas, desengajadas, desatentas. Nesse sentido, até que ponto podemos falar de uma consciência crítica que se fortalece com a internet? Se é que podemos falar em fortalecimento de alguma crítica... O que percebo em ambientes como o Twitter, Facebook etc. é mais um processo de “fetichização” da crítica do que mesmo uma crítica.

Vemos cada vez mais a proliferação de um discurso que gira em torno de si mesmo e se sobrepõe à realidade ou a uma efetiva ação, além da ação de dizer e expor uma indignação. O importante parece que é mesmo ir para a internet, “rodar a baiana” e esperar que mais gente entre na roda. Se bombar, já valeu o protesto.

Pior ainda é o protesto e a mobilização virtual em defesa do imbróglio. É o caso da campanha do voto nulo, que, como tantas outras semelhantes, circulou pelo Facebook. A campanha incentivava o voto nulo com o argumento de que, se mais da metade dos eleitores anulasse o voto, haveria novas eleições. Falácia pura. Isso não está previsto na lei; e, se estivesse, que vantagem traria? Por outro lado, a internet tem permitido uma onda de denúncias irresponsáveis, quase sempre mentirosas, que se escondem por trás do anonimato virtual para promover difamação e injúria. Seria essa a contribuição da internet para a Democracia? Isso é um atentado à Democracia, cada vez mais praticado no Brasil inteiro e que não se limita aos sites de relacionamento.

O fato é que a reclamação vigora; os protestos virtuais pululam. E a crítica responsável, coerente, sensata torna-se cada vez mais rara. Fica o discurso sem fundamento, girando em torno de si mesmo – fica o fetiche da crítica. Isso me lembra o pensamento de Jean Baudrillard sobre a espetacularização da realidade. Já que a distorção do pensamento do filósofo francês já inspirou até filme (Matrix), pode render alguma reflexão aqui também. Se Baudrillard mostra que, na cultura contemporânea, os sistemas de signos operam no lugar dos objetos, o que vemos nos “protestos virtuais” não é algo muito diferente: é o discurso da mobilização no lugar da mobilização – a crítica convertida em espetáculo.

Nesse cenário, não importa se a crítica tem fundamento ou não, se a denúncia é verdadeira ou não, se as propostas são viáveis ou não. O que importa é criticar, denunciar, protestar e tornar-se um espetáculo. O que importa é a próxima atualização do perfil e suas respectivas curtidas, compartilhamentos, comentários etc. Atualmente, busca-se mais a proliferação de um discurso de protesto do que o seu resultado. Esse efeito viral quase sempre não garante resultado nenhum além de mais uma moda fugaz que se dissolve em poucos dias.

Não se pode generalizar, claro. Afinal, casos de sucesso de flashmobs e outras ações que saem da internet para as ruas existem aos montes por aí. É o caso dos desfiles de fantasiados, guerras de travesseiros e outras festas que mostram que as redes sociais não são apenas digitais, elas extrapolam a internet, especialmente quando não tem função nenhuma além da simples diversão e entretenimento. Como tantos protestos online, elas esgotam-se em si mesmas e revelam mais uma vez que o que importa é mesmo “curtir”.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Protestos virtuais

 
Ricardo Nogueira
Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.
 


 
“Seria mais fácil fazer como todo mundo faz. O milésimo gol sentado na mesa do bar”. A frase, extraída da música “Outras Frequências”, do artista gaúcho Humberto Gessinger, mostra bem a situação em que vivemos atualmente. A promessa da internet e suas quebras de fronteiras culturais e sociais, ao contrário do previsto, não gerou jovens mais politizados e atuantes. Ao invés disso, temos cada vez mais protestos de mentirinha, revoluções no sofá e pessoas extremamente corajosas protegidas pelo falso anonimato da rede mundial de computadores. É uma atualização das pessoas que, na minha infância, eram acusadas de “jogar bolinha de gude no tapete” ou de “soltar pipa no ventilador”.

A geração M (mundi, millenium, multimídia) é hoje campeã dos protestos virtuais. Recentemente, uma mobilização entre os “facebookeiros” tomou conta de todo o país. As pessoas, com indignação frente a uma possível retirada de determinada tribo indígena de seu habitat em virtude da necessidade progressista, resolveram protestar. E fizeram isso da seguinte forma: inseriram entre seu primeiro nome e o sobrenome alguns nomes indígenas, tais como Guarani-Pataxó. Então, um João da Silva qualquer passou a se chamar, no Facebook, João Guarani Pataxó da Silva. Seria engraçado, se não fosse triste.

E essa tristeza vem da passividade da juventude em suas formas de reivindicação. O impressionante é que, para contestar pais, parentes, amigos ou (especialmente) professores, há uma agressividade e uma intensidade física fora do comum. Mas se é para apoiar a tribo indígena, lutar pelos direitos dos pandas chineses ou protestar contra um governo corrupto, a internet parece ser o lugar ideal e mais seguro. Ponto para a tecnologia.

Num passado bem recente, a juventude, responsável pelas principais mudanças revolucionárias da História, ainda possuía uma atividade intensa em seus movimentos sociais. No Brasil mesmo, as décadas de 1980 e 1990 foram palco de duas grandes manifestações populares, lideradas pela juventude, que geraram resultados positivos para a questão democrática. Mesmo quem não teve a oportunidade de participar, com certeza conhece a campanha pelas “Diretas Já” e os “caras-pintadas” que ajudaram a derrubar o então presidente Fernando Collor.

Hoje, além das diversas mobilizações virtuais, os jovens também vão para as ruas em ocasiões especiais. No entanto, os motivos são outros. No começo desse mês tivemos um claro exemplo disso. Em “comemoração” (?!) ao Dia de Finados, centenas de jovens (inclusive em Divinópolis) tomaram as ruas e pintaram suas caras. Não, não era um protesto contra a desigualdade social, contra a corrupção ou em defesa de uma causa ambiental. O motivo é chamado de “Zombie Walk Day”, ou seja, uma imitação de uma tradição estadunidense em que as pessoas, em referência aos “mortos-vivos”, se vestem e se maquiam com temas de terror. E tem havido, ainda, uma outra grande mobilização na cidade nos últimos anos. Trata-se da Guerra de Travesseiros (Pillow Fight Day), que reúne a “nata” da juventude virtual em alguns dos poucos momentos de contato físico. Esta é a diferença entre as mobilizações de ontem e de hoje.

Não é preciso ser psicólogo ou analista social diplomado para perceber o quanto essas mudanças estão reinventando a forma de relacionamento entre as pessoas. O tema é extremamente amplo e as discussões são muitas para caber neste espaço. Até mesmo porque não só de coisas ruins é feito o ambiente virtual. O polêmico blog “Diário de Classe”, feito pela adolescente catarinense Isadora Faber, é um exemplo disso. Ela utilizou a internet como forma de denúncia para os problemas encontrados na estrutura escolar. Mas, nesse caso, a rede é usada apenas como ponto de partida, e não de chegada.

Já que atitudes como essa são infinitamente mais raras do que os protestos virtuais, fica a esperança de que a juventude entenda que há vida além da net. E, principalmente, que aproveite as oportunidades que a rede mundial de computadores gera para iniciar as mobilizações, mas não para terminarem ali. É fato que fazer o milésimo gol sentado na mesa de um bar, no conforto de um sofá ou em frente ao computador é mais fácil. É por isso que, apesar das críticas, Túlio Maravilha é um sujeito a se admirar. Afinal, tentar fazer o milésimo gol em um campo de verdade exige mais talento e vontade do que fazê-lo no Playstation.  

 

 

 
 

 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cultura caça-níquel

Ricardo Nogueira

Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.
 

 
 
Cena comum hoje em dia é ver adolescentes carregando para cima e para baixo livros enormes com enredos sobre guerras entre humanos, “elfos” e demais criaturas estranhas nos chamados “reinos distantes” ou encantados. Aliás, não é de hoje que a procura pela literatura fantasiosa desperta atenção na população. Em menos de uma década tivemos o auge de histórias sobre jovens bruxinhos e ainda sobre os vampiros, que voltaram a ficar na “moda” depois de certo tempo esquecidos. O que vale a pena analisar, nesses casos, é como a mídia consegue impor produtos “culturais” e, de certa forma, estabelecer os padrões de gostos que moldam uma geração inteira.

Esse aparato midiático não se resume à literatura. A consequência imediata deste boom reflete-se também em outras mídias como nas revistas, na TV, no cinema e na internet. Parece que é tudo planejado. Basta uma obra literária começar a fazer sucesso que surge a notícia de que seus direitos foram vendidos para a produtora X e que, em breve, começa a ser produzido o filme referente ao livro. É neste ponto que os preguiçosos se deleitam. Ao ouvir falar que determinada história vai acabar nas telonas, pensa-se: “Para que gastar meu tempo lendo um livro se em breve posso assistir ao filme?”

E assim vai sendo moldado o gosto de toda uma geração. Seja na literatura, no cinema, na TV, na música, o que importa é estar por dentro do que a mídia impõe e ter os discursos prontos na ponta da língua. Sair fora disso é perda de tempo e faz com que o adolescente seja visto como um “estranho no ninho”. Em um período tão conturbado da vida, em que o sujeito busca sua afirmação perante a sociedade, o trauma de sair fora desse caminho pode ser catastrófico. Então, resta sucumbir ao desejo popular e gostar de tudo o que vem sendo imposto. Yes!

As empresas de entretenimento é que vibram com essa situação. Sabendo que sempre haverá demanda por esse tipo de produto cultural midiático massificado, os investimentos se multiplicam na certeza de que um futuro promissor virá por aí. E geralmente vem. Como estratégia certeira basta apostar no que está “na moda” e nadar em piscinas de lucro depois.

Há tempos não muito distantes uma das principais críticas dos estudiosos da chamada “Indústria Cultural” dizia respeito ao famoso “jabá”, referenciando as influências econômicas e políticas que faziam com que determinados artistas estivessem sempre nos primeiros lugares entre as músicas mais tocadas pelas rádios. A prática, tão antiga quanto o próprio meio, deixou de ser tão discutida com a chegada da internet e a suposta democratização do acesso à cultura. No entanto, apesar da real oportunidade do sujeito buscar na rede mundial de computadores algo diferente do estabelecido pelo mainstream, fica claro que esta não é uma opção válida, ao menos se ele quer manter as aparências de sociabilidade. Então, tome sertanejo universitário, funks e todo e qualquer tipo de compartilhamento de lixo cultural.

O alemão Walter Benjamim, na primeira metade do séc. XX, já enunciava a “morte da aura” artística devido a sua possibilidade de reprodução em larga escala. Talvez hoje ele tivesse que ser internado em um manicômio, por não suportar ver a oportunidade desperdiçada pelas pessoas que, com acesso quase irrestrito a um gigantesco universo cultural via internet, preferem consumir o que lhes é imposto pela mídia sem a mínima crítica. Esses tempos modernos...

Por fim, fica a receita para os pseudoempreendedores culturais em busca de retorno rápido: procure um tema que não vem sendo tratado há algum tempo (algo como um grupo de jovens japoneses que se transformam em super-herois e lutam contra o mal, bem “anos 80”), produza um best-seller (até mesmo porque eles já são produzidos por encomenda), venda logo seus direitos cinematográficos e, claro, não se esqueça de preparar os dois sucessores para formar uma trilogia. É sucesso garantido! Não foi assim com os elfos, os vampiros, os bruxinhos alquimistas? Creio que uma versão contemporânea de Jaspions, Changemans ou até mesmo Power Rangers pode sim “causar”! Afinal, neste mercado o que vale é entregar produtos revisitados de digestão fácil, certo? E viva Lavoisier com seu “nada se cria, tudo se transforma!”

 

 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Marketing, Esporte e Paixão

Ricardo Nogueira
Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.
 
 
 
Ontem li em algum lugar uma frase bem interessante. Com o perdão da falta de crédito ao autor e ao meio que a veiculou, segue a ideia: “O futebol é a coisa mais importante dentre todas as coisas menos importantes da vida”. Além de genial, a frase resume bem a paixão do brasileiro pelo esporte e nos leva a entender o porquê do mercado de comunicação e marketing relacionado ao esporte estar sempre em alta. É fato: de cada 10 leitores de um jornal, pelo menos sete deles abrem direto a página de Esportes em primeiro lugar. Mesmo que manchetes com outras notícias relevantes, com temas importantes para a sociedade, estejam dispostas gritantes na capa, é sempre bom conferir primeiro aquilo sobre o time do coração.
Esse filão já foi descoberto por vários veículos de comunicação que dedicam grande parte do seu noticiário à cobertura esportiva. Reflita: qual editoria (Cultura, Política, Economia etc) tem, diariamente, além do espaço próprio nos noticiários gerais, programas ou cadernos específicos? A resposta é simples: o Esporte. Basta analisar a programação da TV aberta e perceber que em todos os canais há pelo menos um programa dedicado ao jornalismo esportivo diariamente. As demais editorias têm menor importância no gosto popular. É fato. E ir contra o gosto do povo é perder tempo.
Quem já atentou para isso, há muito tempo, foi o empresariado que investe no marketing esportivo como forma de agregar valor às marcas. É uma coisa tão lógica que é praticamente impossível pensar diferente disso. Um dos preceitos do marketing de relacionamento, por exemplo, é a fidelização. De forma bem rápida, podemos entendê-la como o esforço que as empresas fazem para manter seus clientes fiéis, para que eles não tenham dúvidas na hora de escolher um produto ou serviço e sempre façam a opção pela empresa que trabalha nesse sentido. Logo, este deveria ser e muitas vezes é o esforço de mercado que as grandes empresas têm em mente.
E qual a relação disso com o esporte? Praticamente total. Alguém consegue ver lógica em uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês gastando cerca de 1/3 de seus honorários comprando uma camisa oficial do clube que torce, por exemplo? Ou, ainda, existe algum sentido em deixar o conforto de sua casa, viajar cerca de duas horas, enfrentar engarrafamento, fila para entrar, pagar caro por um refrigerante ou prato de tropeiro e ficar espremido entre outros marmanjos para acompanhar um jogo do time? E o que dizer ainda dos fortes abraços dados no colega de arquibancada, suado, que nunca viu na vida? Isso tem nome: paixão. Logo, o futebol é o que é por despertar esse sentimento e toda essa gama de ações em nome de um amor sem comparação.
Portanto, ao pensar no marketing esportivo e no apoio ao esporte como forma de estreitar relacionamentos com seus públicos de interesses, as empresas querem simplesmente aproveitar um pouquinho desse amor e, quem sabe, transferi-lo para sua marca. Esse é o princípio básico da coisa toda: buscar um pouco de paixão e ter não mais clientes, mas “torcedores” da marca. No entanto, por mais interessante que a estratégia seja, transferir esse sentimento de um clube para uma empresa não é tão fácil assim. Isso já foi tentado por muitas marcas, mas poucas tiveram sucesso.
Como não há receita de bolo para obter o sucesso, cabe às organizações verdadeiramente engajadas no esporte usufruir desta estratégia que pode, sim, trazer sucesso e resultados surpreendentes. De um tempo para cá, parece que o esporte, especialmente o futebol, tem ganhado fãs cada vez mais apaixonados. Nas faculdades de Jornalismo isso é visível: são vários os alunos que chegam buscando trabalhar com sua paixão pelo esporte, conciliando prazer e labuta. E assim também ocorre nos cursos de Marketing, Publicidade e Propaganda e outras habilitações que pensam em como destacar as empresas no mercado.
Assim, investir em capacitação para saber lidar com o marketing esportivo de forma a gerar benefícios para as empresas é apostar no futuro certo e rentável. Especialmente no país que está prestes a receber uma Copa do Mundo e as Olimpíadas, que com certeza gerarão diversas oportunidades para quem esteja capacitado para liderar e desenvolver esses projetos. Já que das coisas menos importantes do mundo esta é a mais relevante, a hora de investir é agora.    

 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Diga-me o que lês


Ricardo Nogueira

Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.


Já discutimos outra vez, nesse mesmo espaço, que um mau hábito dos brasileiros diz respeito ao baixo índice de leitura. Na ocasião, tal fato foi enunciado como um dos responsáveis pelo sucesso dos jornais populares, que estão mais fortes a cada dia. Hoje, no entanto, vamos continuar tocando nessa “ferida”, mas de outra forma: quando leem, o que os brasileiros andam lendo?

Para quem não sabe, um dado importante é que no ranking das 10 revistas mais lidas do país, sete, nada menos do que sete tratam de fofocas, ou melhor, da vida interessantíssima das celebridades e pseudofamosos. Com exceção das semanais Veja, Época e Isto É, as demais 7 posições da lista das 10 mais lidas do país são ocupadas pelos seguintes títulos: Caras, Viva Mais, Ana Maria, Contigo, Tititi, Minha Novela e Malu. Percebe-se, pelos títulos, que são revistas importantíssimas e que conseguem levar a seus leitores informações de verdadeiro interesse público.

É por dados como esse que às vezes me questiono se estou no país ou na profissão errada (ou será nos dois?). Como pode um país que tem um bom jornalismo, bons repórteres, bons escritores e bons títulos ser tão superficial assim? Não possuo os dados, mas acredito que na mesma linha da preferência editorial estão os programas televisivos destinados ao entretenimento puro, à fofoca ou a conteúdos sem a devida importância.

Nos livros o resultado é parecido. Basta analisar as listas dos mais vendidos divulgadas semanalmente nas principais revistas do país e verá a forma como se compõe o gosto nacional. Autoajuda, ficções “da moda” e biografias de famosos predominam ano após ano. Isso num país que possui grandes poetas e escritores. Talvez isso ocorra por problemas de educação (e falta de). Vou explicar melhor.

Um dos problemas da educação é que as crianças, na fase escolar, são “obrigadas” a lerem obras sobre temas que não gostam ou com linguagem inapropriada para sua idade. Apesar de não ser psicólogo nem pedagogo, minha pequena experiência com a docência me prova isso da forma mais prática possível: o que não envolve não se aprende. E o que não se aprende costuma causar arrepios e desgostos eternos em que é “obrigado” a fazer.

Por isso, forçar os alunos a lerem obras de escritores como Machado de Assis, Graciliano Ramos, José de Alencar, entre outros, em um período em que eles estão mais preocupados com outras coisas contemporâneas, costuma causar traumas para o resto da vida. Nada contra oferecer essas leituras aos alunos. Pelo contrário, sou um grande defensor da leitura e sei a importância que ela tem para a formação de qualquer pessoa. Mas “obrigar” uma criança ou adolescente a ler uma obra que ela não se interessa e nem mesmo entende o sentido é dar murro em ponta de faca.

Já o outro problema, cultural e histórico, e por isso mais difícil de resolver, diz respeito à falta de educação. Não vou nem comentar sobre a digitalização do mundo e o fato de o hábito da leitura estar sendo deixado de lado em virtude da dependência infanto-juvenil pela internet, pois esse assunto por si só já daria um livro. E como ninguém tem mais paciência de ler... Quando falo de falta de educação quero dizer sobre a falta de hábito e incentivo que as crianças têm, ainda dentro de casa, para a leitura. Hoje em dia é muito mais prático deixar os filhos serem “educados” pela TV do que “gastar um tempo” lendo para eles ou conversando sobre literatura. É também mais cômodo dar um tablet para que ele desenvolva sua capacidade de buscar boas leituras (?!) do que levá-lo a uma biblioteca. E, assim, quando estes jovens, sem culpa, vão buscar algum tipo de leitura, querem sempre o mais fácil, o mais rápido, o que dá para ler sem ter que pensar muito. Isso explica um pouco o ranking das revistas e livros mais vendidos do país.

Costumo dizer para meus alunos que a melhor forma de escrever bem é ler, ler, ler, ler, escrever, escrever, escrever e escrever. Para quem pensa que tal preocupação sobre a falta de leitura é algo pessimista, apocalíptico ou que seus efeitos ainda são muito distantes, deixo uma reflexão no ar. Repare a diferença nas letras das músicas atuais e nas canções feitas antes de 1990. Será que não teremos mais Chicos Buarques, Miltons, Caetanos, Gils? Será que temos que nos contentar com Restart, Fernando e Sorocaba e outros dos novos gêneros? Será que aqueles “caras” da hoje chamada MPB eram tão inteligentes assim do nada? Será que é dom? Meus pais, que graças a Deus sempre me incentivaram a ler, me diziam sempre: “Diga-me com quem andas e direi quem tu és”. Atrevido como sou, sugiro a mudar o dito para: “Diga-me o que lês e direi qual o teu futuro”.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Lições das eleições


Ricardo Nogueira

Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.


Os resultados das Eleições 2012, divulgados no último domingo, deixam grandes lições para os profissionais na “arte” de pleitear votos e, ainda, aos profissionais da comunicação. Especificamente em Divinópolis, a abertura das urnas consolidou algumas certezas e jogou outras por água abaixo. Sem dizer respeito a méritos ou deméritos dos candidatos, este artigo pretende fazer uma análise dos resultados em relação às ferramentas de comunicação e seus usos, e como ela pode gerar sucessos ou insucessos no pleito.

A reeleição ao atual prefeito era quase uma certeza. Confirmou-se nas urnas, mas o que deve ser analisado é a perda de gás da campanha na reta final. A democracia tem dessas coisas: cidades com menos de 200 mil eleitores não têm segundo turno. Por isso, a maioria dos votos válidos dá a vitória ao candidato nesses casos. Essa legislação fez com que a reeleição se desse com uma opção de apenas 36,05% dos eleitores. Logo, 63,95% da população mostrou nas urnas sua vontade de mudança, o que deveria servir de “sinal amarelo” para a coligação vitoriosa. Que os erros sejam banidos e que a boas práticas e propostas tenham continuidade.

Estes dados revelam outra questão importante do processo: a fragmentação da oposição deu a vitória ao candidato da situação. O jogo político trata, antes de qualquer coisa, de uma disputa de egos e vaidades. Ao invés de reunirem em torno de um objetivo comum de mudança, os quatro candidatos oposicionistas fizeram questão de saírem como “cabeças de chapa”, o que os enfraqueceu individualmente e reforçou a campanha da situação, uma vez que os votos pela mudança foram fatiados. O resultado foi o que foi.

Outra ferramenta importante nesse pleito, especialmente no que diz respeito à comunicação, é a força dos programas eleitorais gratuitos de rádio e TV. Com uma grande composição partidária e um tempo maior do que dos outros quatro candidatos juntos, a coligação vencedora mostrou, mais uma vez, que o rádio e, especialmente, a TV, são imbatíveis como meios para atingir a massa. Com um programa bem produzido tecnicamente e tempo de sobra para mostrar imagens e propostas, não podemos negar que esse foi mais um fator decisivo para a reeleição.

Por outro lado, quando o espaço da TV foi usado com tempo dividido de forma igualitária e, principalmente, sem os recursos técnicos, visuais e de oratória planejada, os resultados foram outros. Os três debates realizados pelas emissoras de TV abertas que fornecem sinal para Divinópolis deram a oportunidade para os eleitores conhecerem melhor as propostas, as alianças, os pontos fracos e fortes de cada um dos candidatos. A lição? Boa oratória e preparação fazem a diferença. E ataques pessoais e despreparo técnico também, só que para o lado negativo. Talvez esses debates foram responsáveis pelas grandes mudanças nos resultados em relação aos números divulgados nas pesquisas de opinião. O ruim é o horário em que os debates foram ao ar, quando grande parte dos eleitores já estava dormindo e não pode acompanhar as discussões sem maquiagem.

Já a internet também mostrou a sua força no processo. As mobilizações virtuais deram resultados positivos e negativos, mas, acima de tudo, mostraram que, se bem utilizadas, podem fazer a diferença. Menos em termos de espaço para publicação, mas mais como um espaço democrático de debate, a internet e as redes sociais virtuais mostraram que têm a capacidade de disseminar informações e dar voz a personagens do processo eleitoral que talvez não a tivessem. A própria falta de limitação tempo/espaço, comum nas mídias tradicionais, democratiza o acesso à divulgação e discussão de informações, impossível nos outros meios que privilegiam a vantagem econômica como fator de influência popular.

No entanto, a maior lição que fica desse pleito é que o povo, realmente, não é mais tão bobo quanto se pensava. As promessas e atitudes impossíveis foram bombardeadas nas urnas e fica a certeza de que a época em que se acreditava em Papai Noel, Fadas e Coelhinhos da Páscoa ficou para trás. Abraçar criancinhas, velhinhos e mendigos, ao invés de trazer votos, pode gerar protestos em massa, que, disseminados pela rede, viram uma verdadeira arma nas mãos de quem quer levar as coisas a sério. Certo candidato que o diga...

Boa sorte aos eleitos e que as lições desse processo eleitoral sirvam de atento. Que possamos contar com os representantes (de fato, legítimos) do povo para as melhorias que nossa cidade tanto precisa. Amém!

 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Eleições sem maquiagem


Ricardo Nogueira

Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior, MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica. Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.



É na reta final das eleições que tudo se decide. Os indecisos resolvem “vestir uma camisa”, os quase decididos têm a chance de mudar o voto e aqueles fervorosos defensores de determinada candidatura fazem de tudo para convencer os amigos, parentes e vizinhos a fazer a mesma escolha que a sua. De dois em dois anos é o que ocorre. Mas, de quatro em quatro anos, quando as eleições ocorrem exclusivamente em nível municipal, é que o espetáculo desperta paixões, raivas e sentimentos ao extremo, por envolver de perto o interesse da população.

Neste ano não é diferente. Na última semana pipocam pesquisas apontando que um candidato X será eleito, ou que o concorrente está subindo nas intenções de voto. É, ainda, o momento do “vale tudo” nos programas eleitorais obrigatórios de rádio e TV. Aqueles “segredos” que estavam escondidos debaixo dos panos vêm à tona e a baixaria rola solta pelo ar. Neste momento, os tratos de “respeito” ou de “bom senso”, se é que eles existem, vão para o ralo e qualquer argumento é válido para convencer aquele eleitor indeciso, ou para mudar o voto de quem não está tão certo de sua escolha.

Nesta estratégia, vale muito a pena ver o último programa do horário eleitoral. É certo que todos os candidatos, depois de tanto “bater” nos adversários, vão aparecer ao lado de suas famílias, abraçando crianças e pobres, e provavelmente participando de alguma cerimônia religiosa – é claro, pois não basta convencer pelos argumentos, tem que mostrar que é fiel a Deus e que Ele vai dar um jeito em todos os problemas vividos pelos menos favorecidos. É batata! Caso isso não ocorra na próxima sexta-feira podem mandar um email cobrando...

Tudo isso é tão previsível porque o marketing político, apesar de ter evoluído bastante, mantém os mesmos princípios desde que começou a ser utilizado pelos norte-americanos, na década de 1950. Fazer o candidato ser mais “simpático” do que realmente é, estimulá-lo a falar a linguagem do povo, abraçar criancinhas e mendigos, entre outras ações, são mais velhas do que andar para frente. E o pior é que, apesar disso, ainda funciona. Por isso, entra eleição e sai eleição nos deparamos com as mesmas promessas faraônicas de sempre, os mesmos discursos de “fazer diferente”, os mesmos “papagaios de pirata” posando ao lado dos candidatos numa promessa de ajuda para o bem das cidades – ajuda essa que dura não mais de 6 meses, porque depois devem rever seus “apoios” devido ao cenário político estadual ou nacional.

E o povo, aliás, o eleitor, acredita nestas promessas quase natalinas e deposita seu “voto de esperança” em um produto do marketing que, provavelmente, terá muita dificuldade em ser tão bom, honesto e amigo de todos quanto no tempo do pleito.

No entanto, a reta final das eleições é também um dos poucos momentos em que o eleitor tem a oportunidade de conhecer os candidatos “sem maquiagem”. É o período dos debates transmitidos pela TV. Sei que, assim como eu, algumas pessoas acreditam que seria muito melhor oferecer mais debates e menos programas eleitorais “maquiados” para que o eleitor tivesse condições de fazer a sua escolha de forma mais acertada. A única coisa negativa é o horário em que os debates vão ao ar. Por volta das 22h30, 23h, grande parte da população já está dormindo, pois precisa acordar cedo no outro dia para trabalhar. Mas isso é papo para outra hora.

É no debate que os candidatos ficam “cara a cara” e têm a possibilidade de questionar uns aos outros sobre as promessas faraônicas e determinadas declarações sem fundamento técnico. É, ainda, a chance dos postulantes aos cargos públicos terem um tempo igual para a proposição de suas ideias, diferente do horário eleitoral, que divide o tempo de exposição de acordo com as bancadas partidárias no Congresso Nacional – o que, a meu ver, não torna justo o processo.

Ao ser questionado sobre um tema sobre o qual a sua assessoria política e de comunicação (os verdadeiros candidatos, pois são quem de fato elaboram as propostas) não lhe deu argumentos, o candidato fica perdido e pode levar tudo a perder. Falar sem a possibilidade de edição e ao vivo é excelente, para o eleitor, por isso: mostra a realidade. Mostra quem é quem, qual o nível de controle emocional de cada postulante e melhor, faz com que o verdadeiro debate de ideias aconteça. Portanto, a dica para os eleitores é acompanhar os debates eleitorais antes de decidir seu voto. Com certeza vai fazer a diferença.