Ricardo Nogueira
Jornalista, Especialista em Docência do Ensino Superior,
MBA em Gestão da Comunicação Integrada, Mestre em Educação, Cultura e
Organizações Sociais, Mestrando em Educação Tecnológica.Professor da Faculdade Pitágoras nos cursos de Jornalismo,
Publicidade e Propaganda e Gestão Comercial.
Uma coisa é muito clara em
qualquer profissão, em qualquer situação de nossa vida: a grama do vizinho é
sempre mais verde. Temos uma infeliz mania de achar sempre que a vida, o
emprego, o carro, a mulher e tudo mais dos outros são melhores do que o nosso.
Na área da comunicação não é diferente. Ou o jornal que o outro trabalha é
melhor do que o que trabalhamos, ou os clientes que uma agência concorrente
atende são melhores, pagam mais e são mais “bonzinhos”. Mas será que é isso
mesmo que acontece? Será que, ao invés de agradecermos pela vida que temos, não
perdemos muito tempo olhando para fora?
Creio que é quase inerente
ao ser humano essa prática de só enxergar as dificuldades e desafios da própria
vida e, por outro lado, somente as alegrias e felicidades das vidas alheias.
Assim, não é raro escutarmos frases do tipo: “fulano nem bem começou a vida e
já é chefe”. Ou “só porque sicrana é bonita que conseguiu aquela vaga tão
disputada”. Por mais que, em alguns casos, tais “verdades” possam de fato
parecer verdadeiras, olhar somente a superfície e tirar daí suas conclusões
está longe de parecer inteligente.
No mercado de comunicação
deparamos com afirmações como estas o tempo todo. Ou determinada pessoa está
hoje em um posto superior pela “graça divina” ou então porque teve uma ajudinha
extra para conseguir tal feito. Mas será que realmente não há uma justificativa
plausível para a situação acontecer? Digo, com certeza, que há sim. E que,
geralmente, conquistas chegam após muito trabalho, esforço, renúncia e
dedicação. Portanto, ao “invejar” uma posição profissional ou pessoal alheia,
procure saber antes o que de fato o vizinho fez para alcançar tal posto e, ao
invés de denegrir, esforce-se para conquistar o que de fato busca.
As pessoas perdem tanto
tempo olhando para fora, “pesquisando o mercado”, que se esquecem de aprimorar
pessoal e profissionalmente. Nós, professores, temos uma benção muito grande: a
oportunidade de ver pessoas conquistando seu espaço no mercado, prosperando e
alcançando seus objetivos profissionais. Temos essa chance de acompanhar tudo
bem de perto e, especialmente gratificante, compreender como o esforço e a
dedicação são, de fato, regras essenciais para se atingir os resultados
esperados.
Neste tempo digital, em que
a maioria dos jovens passa mais tempo em “aventuras cibernéticas”, e concentram
seu tempo livre na busca de relacionamentos e diversões mediadas por
computador, é muito claro perceber, logo no início da carreira, qual
profissional cada um deles será no futuro. Enquanto alguns acham e agem como se
o mundo não fizesse sentido sem as redes sociais (Facebook, Twitter e afins) e,
por isso, despejam uma quantidade absurda de tempo e energia em curtir e
compartilhar coisas desnecessárias, outros estão buscando o seu aprimoramento
profissional. E aí, ao invés de ficar na internet esperando a vida passar,
estes outros buscam os ensinamentos em livros, fazem além do pedido, procuram
conhecer na prática os segredos das profissões para as quais estão se
capacitando.
A minha “eterna inquietação”
com as redes sociais virtuais não é por um mero julgamento de valor do tipo
“gosto/não gosto”. Jamais vou desprezar o lado positivo deste meio de
comunicação, as facilidades que trouxe para a vida de várias pessoas e,
especialmente, como profissional de comunicação, o seu potencial como
ferramenta estratégica em praticamente todos os setores produtivos. A minha
implicância é com o fato de que, por ser obviamente mais atrativa visualmente
do que um velho livro, essa nova mídia acabe com o hábito de buscar
conhecimento nas formas tradicionais pelos mais jovens. E, com isso, o medo de
que essa geração mediada pelo digital não compreenda a si própria sem a
virtualização do mundo.
Há um dito popular que
afirma sermos responsáveis por fazer o nosso próprio destino. Pela ainda curta
experiência de vida, acredito cada vez mais nisso e de que as escolhas que fazemos
acabam por determinar quem somos e o que fazemos. Então, ao invés de reclamar
da vida, do emprego, do salário, quem sabe não é tempo de rever nossas atitudes
e dedicar mais tempo ao aprimoramento pessoal e profissional? Tenho absoluta
certeza de que, ao fazer isso, cada um vai crescer mais e viver mais feliz. E
isso não é pouco. O resto é consequência.
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